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Nordika do Brasil espera melhor desempenho desde sua chegada ao país ainda no primeiro semestre

25 MAR 2019 - 00H00 | ATUALIZADA EM 01 ABR 2019 - 11H28


Março, 2019

A coluna mensal ‘Conversa com o Mercado’ tem como objetivo trazer os mais recentes investimentos e movimentações do setor, aumentando o conhecimento sobre os concorrentes, especulações de mercado e ações das principais companhias.

Este mês, apresentamos Marcelo Anéas, diretor comercial e Cristiano Behringer, gerente de automação, da Nordika do Brasil. A empresa atua no Brasil desde 2012 e representa a junção de competências e disciplinas com um foco em comum, onde engenharia, automação e validação andam lado a lado. Segundo a empresa, essa integração de disciplinas gera projetos ainda mais consistentes e colabora para o desenvolvimento do setor de automação.

Marcelo Anéas 

Biólogo formado pela Universidade de São Paulo e gerente comercial da Nordika do Brasil, o executivo possui 20 anos de experiência na indústria de ciências da vida tendo atuado como especialista de aplicação até 2007 e em gestão comercial nos últimos 12 anos. Atualmente também é diretor consultivo e líder do Comitê de Biotecnologia do ISPE Brasil.

Cristiano Behringer

Engenheiro Eletricista e Mecatrônico com 20 anos de experiência em automação. Destes, os últimos 16 anos foram dedicados à indústria farmacêutica. Atualmente atua como gerente de automação da Nordika do Brasil, responsável por um time de 17 profissionais. Também é líder do GAMP ISPE Brasil e diretor consultivo ISPE Brasil. 

Entrevista

Como foi o ano de 2018 para a empresa? Registraram crescimento? De quanto (%)?
O ano de 2018 foi desafiador, por conta do processo eleitoral que aumentou o nível de incerteza na indústria e acabou resultando no atraso para a tomada de decisões de investimentos. Para a Nordika não foi um ano de crescimento em termos de novos projetos, mas como já tínhamos uma carteira robusta, nosso faturamento permaneceu estável, permitindo atingir a maioria de nossos objetivos.

O que esperam para 2019? Existe alguma área dentro da empresa que será o foco desse ano?
Esperamos uma retomada da demanda com a liberação de investimentos que estavam represados no segundo semestre de 2018 e novos projetos em fase de planejamento de nossos clientes. De acordo com nossas projeções e resultados, nos dois primeiros meses do ano, nossa expectativa é termos o melhor ano desde que a empresa foi estabelecida. A indústria hoje de forma geral sofre uma interferência positiva para soluções mais focadas em tecnologia. A pressão vem não só das matrizes em caso de multinacionais, mas do próprio mercado que mostra mais interesse nesse tipo de assunto, e isso vai de encontro com a estratégia da Nordika dos últimos anos, pois temos feito parcerias internacionais visando dar base para as soluções da Indústria 4.0.

Desde quando vocês estão com a operação brasileira? Por que decidiram operar no Brasil?
Nossa antiga controladora, a NNE, foi responsável por importantes projetos no Brasil e outros países sul-americanos desde 2005. A atual estrutura com escritório no Brasil, foi estabelecida em 2012, e em 2015 fizemos um spin-off da NNE, mantendo equipe e estrutura anteriores. Decidimos investir e operar no Brasil, pois é a 8ª maior economia do mundo, mas apenas a 57ª. em produtividade. Nós vemos um grande potencial em aumentar a produtividade o que, de acordo com o Banco Mundial, poderia gerar um crescimento anual do PIB brasileiro acima dos 4% queremos fazer parte disso.

Como é a competitividade do Brasil frente a outros países?
Hoje é melhor que há alguns anos, o que pode ser verificado com os processos de expansão internacional de várias empresas nacionais. Vários de nossos clientes fizeram investimentos do Canadá ao Chile, chegando em alguns casos a comprarem ativos na Europa. Esse é um sinal inequívoco de nossa competitividade. A harmonização dos requisitos regulatórios da Anvisa com outras agências e a pressão pela elevação da produtividade via automação e aplicação de conceitos de “Lean Manufacturing” devem contribuir ainda mais para o aumento da competividade.

Qual o carro forte da Nordika?
Nosso carro forte é uma mistura de competências e disciplinas com um foco em comum, onde engenharia, automação e validação andam lado a lado. Essa integração de disciplinas gera um projeto consistente. Imagine que desenvolvamos um projeto completo e após a entrega do projeto possamos gerenciar a obra, implantar os sistemas de automação e validar os equipamentos, sistemas e processos.

Na área de automação, quais são as novidades e inovações para a área farmacêutica?
O que podemos apontar é a tendência do controle de processos e salas limpas. Para todos esses sistemas, além do foco na solução de controle e monitoramento, temos sempre a preocupação em atendermos os requisitos e boas práticas indicados nas normas e guias que tanto conhecemos, afinal de contas, de nada adianta pensarmos em inovação se não estivermos alinhados com ANVISA, FDA, etc.

Outro assunto importante são as redes. Todos já ouvimos falar sobre a indústria 4.0, aquela indústria em que todos os componentes são integrados e inteligentes, e com essa solução implantada todos os instrumentos/equipamentos devem ser instalados em rede. Dessa forma as redes disponíveis também têm uma tendência à unificação para que não haja conflitos de comunicação. Apesar de ainda não termos grandes novidades nesse sentido, esse é o caminho. É dessa camada de controle (o de sensores e atuadores) que surgirá a maior mudança para que todos os sistemas e máquinas se integrem e o para que o jeito que conhecemos de produzir e criar soluções, mude.

Como a indústria 4.0 está transformando a área de automação?
Ela muda a forma como desenvolvemos as soluções e como encaramos cada componente e cada etapa dentro do processo produtivo. Uma vez tendo a Indústria 4.0 implantada, cada equipamento (ou conjunto de equipamentos), seja ele um sensor, uma válvula, um motor, etc., terá autonomia suficiente para entender qual o seu papel dentro da rede e dentro do processo, além de entender qual o papel dos demais componentes. Imagine que hoje tudo depende do controlador, e eventualmente dos sistemas gerenciais, para que os operadores/gerentes interpretem o que está acontecendo e tomem uma ação/decisão. Com a implantação de componentes inteligentes, que entendem seus papeis dentro do processo, que acionam alarmes quando estão prestes a falhar ou que fazem um “by-pass” de forma autônoma o “vizinho” defeituoso, o foco do desenvolvimento dos sistemas de automação será outro. Não mais o de entradas e saídas e interface homem máquina, mas sim com a visão mais holística do processo onde cada elemento tem um papel com “direitos e deveres”.

Como avaliam o mercado de automação brasileira?
A indústria brasileira ainda apresenta deficiências no que diz respeito à investimentos em automação e tecnologia. Existem dois fatores principais: cultural e regulatório. Culturalmente o brasileiro não tem uma relação tão constante com tecnologia de ponta, vide totens de autosserviço em shoppings sempre vazios, e isso acaba refletindo na indústria. Com 20 anos de experiência, posso afirmar que o foco e o budget despendidos em tecnologia são bem diferentes dentro de uma empresa puramente brasileira e uma multinacional comandada por alguém de fora. É claro que existem exceções, mas o panorama geral nos leva a esse cenário: a importância dada ao controle do processo, e o budget direcionado para tais projetos, são bem diferentes.

Em cima disso temos a questão regulatória, que sempre nos faz pensar duas vezes antes de implantar aquele sistema paperless dentro do meu processo fabril. “Será que a ANVISA aprova?”. É claro que aprova, mas é necessário um projeto consistente, de qualidade e estruturado, com uma documentação completa e uma validação muito bem-feita. Mas ainda esbarramos no “e se”.

Existe alguma tendência em que vale a pena ficar de olho esse ano?
Mais uma vez falando sobre tendência, o que temos é o MES (Manufacturing Execution System). O MES é o sistema de execução de manufatura, que está em uma camada superior de automação, entre o SCADA e o ERP. E como esse tipo de software fica em uma camada superior em termos de arquitetura de software, ele acaba naturalmente tendo funções mais gerenciais. Isso inclui instruções de trabalho (como quando ao invés de seguir uma folha de processo, o operador segue as instruções dadas pelo sistema), inteligência operacional, controle de pesagem e dispensação, OEE, entre outras. Isso significa que a indústria está finalmente sentindo falta de ter o controle e visão geral de suas plantas em tempo real. É com a utilização desse tipo de software que chegamos ao conceito paperless (sem papel).

Digitalização é um termo que anda de mãos dadas com indústria 4.0. Integração é a palavra de ordem, e quando falamos de softwares, temos os softwares de engenharia que garantem a gestão do projeto e permitem que desde a fase inicial até a manutenção pós implantação, tudo esteja na nuvem, tudo esteja integrado e que todos tenham acesso.

Pretendem realizar novos investimentos? Se sim, em quais áreas?
A Nordika possui atualmente quatro unidades de negócios: Automação, Engenharia, Validação e Comissionamento e Tecnologias Avançadas. Estamos fazendo investimento em todas as unidades. Para as unidades de Validação e Comissionamento e Engenharia estamos expandindo nossas operações por conta da demanda por novos projetos. Na unidade de Automação, estamos investindo nossos esforços através de parcerias com fornecedores de tecnologias inovadoras que visam o aumento do nível de automação das operações e no lançamento de novos serviços como a avaliação do Índice de Maturidade Tecnológica (IMT) que ajuda nossos clientes compreender e ajustar sua estratégia para a realidade da indústria 4.0.

A unidade batizada de Tecnologias Avançadas foi estabelecida no fim do ano passado e tem como princípio trazer ao mercado brasileiros parceiros com tecnologias críticas para alguns processos produtivos sem presença comercial ou técnica local. Inauguramos a unidade firmando parceria com a Asahi Kasey, empresa pioneira em tecnologias de nanofiltração utilizada na produção de biológicos para a remoção de contaminantes virais.